No praça do Rossio da cidade de Portalegre, no Alentejo em Portugal, destacavam-se os maravilhosos canteiros de amores-perfeitos, em várias cores, chamando a atenção com o belo espetáculo até daqueles que eram mais indiferentes.
O jardim era pequeno e só uma árvore acabou restando do que antes havia lá. Ela cresceu frondosa no centro da pracinha e roubou a luz das outras que acabaram morrendo e, aos poucos, o belo jardim outrora existente deu lugar à pavimentação e o pouco que restou recebeu pequenos arbustos sem flores.


O destaque é para este plátano gigante (Platanus hybrida), com mais de 170 anos, que faz parte da família Platanaceae, nativa da Eurásia e da América do Norte e típica dos climas subtropical e temperado.
Esta árvore que foi plantada em 1838 pelo botânico Dr. José Maria Grande junto a uma linha de água existente no local. Hoje seu tronco, de quase 6 metros de circunferência, se encontra em grande parte soterrado, em virtude dos aterros sucessivos para nivelamento do atual arruamento da Av. da Liberdade, que passa bem ao lado.


É uma árvore considerada de interesse público por decreto publicado no Diário do Governo.
Do seu ronco encurtado, com mais de cinco metros de circunferência, saem ramos pesados formando uma copa densa de mais de 38 metros de diâmetro que precisa ser escorada para aguentar seu próprio peso. Também chamado de Plátano do Rossio, foi plantado ao acaso juntamente com outras árvores cuja sorte foi efêmera, pois ele vingou mais rápido e continua a desafiar o tempo, quem sabe se por mais um século ou dois.


Sob a sua frondosa copa muitas coisas têm acontecido através dos tempos. Nos tempos da política regeneradora-progressista, esta gigantesca árvore de palco para proclamar os vencedores das lutas eleitorais da época, que aqui hasteavam a sua bandeira. Mas houve um dia em que o Plátano foi condenado à morte e chegaram a serrar grande parte do seu tronco.
Foi então que o povo portalegrense, orgulhoso de tão belo monumento, revoltou-se e não permitiu que chegassem a concretizar o crime.
Hoje essa árvore é a mais antiga classificada de interesse público do país, registrada em agosto de 1939, celebrando a vitória do povo e o milagre de sobreviver aos desmandos de pessoas que pouco sabiam preservar seu patrimônio vegetal.

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