No girassol, a posição das sementes faz com que a flor seja um primor da matemática, tal como o desenho de uma galáxia. No núcleo do girassol, há duas séries de curvas de sementes. Cada série vai para uma direção e o número de curvas não é o mesmo nestas séries.
Repare bem: se a flor tem 21 curvas para a esquerda, terá 34 para a direita. Se tem 34 para um lado, terá 55 para o outro. Se 55 curvas apontam para uma direção, 89 apontarão para a outra.

Reconhece esse padrão? É a Sequência de Fibonacci.
A sequência de Fibonacci é um padrão numérico que pode aparecer em vários seres vivos. Foi descrita pela primeira vez no século XII pelo italiano Leonardo Fibonacci. É uma sequência infinita que começa com 0 e 1. A sequência vai se completando com a soma dos 2 números anteriores. Seguindo essa lógica, podemos montar a sequência: 0, 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89, 144 e assim por diante.
A sequência dá origem à proporção áurea, uma constante presente na natureza e sempre perseguida por arquitetos, poetas, músicos e artistas pela sua perfeição e equilíbrio.
Quando a sequência Fibonacci é aplicada às proporções de um retângulo, chegamos ao que em geometria é conhecido como “retângulo de ouro”, e é aqui que a aplicação da proporção áurea começa a se tornar interessante.
Isso porque esse retângulo ficou conhecido como uma das formas geométricas mais visualmente agradáveis que existem. Por conta disso, ela teria sido largamente aplicada nas artes e na arquitetura, juntamente com a “espiral áurea” que é obtida quando desenhamos uma espiral seguindo o fluxo dos quadrados formados no retângulo de ouro.


Surpreendentemente, a proporção áurea não se limita a aparecer em obras de arte ou monumentos arquitetônicos. Sua abrangência é universal e ela se reflete, por exemplo, na organização dos ossos humanos, no interior de uma concha, na ramificação de veias e nervos, na disposição das pétalas das flores, nos galhos das árvores, na formação de galáxias, no desenho de um tornado, na geometria dos cristais, nas proporções de compostos químicos e até nas moléculas de DNA !
No caso das flores, por exemplo, em algumas plantas, o número as pétalas segue a sequência de Fibonacci, e, em outras, as sementes são frequentemente produzidas do centro para as extremidades. Já a forma como os galhos das árvores se ramificam também reflete os números de Fibonacci, assim como os padrões adotados pelas raízes de determinadas algas.


Além disso, as conchas de muitos animais marinhos são exemplos do espiral áurea. Também é possível desenhar o retângulo de ouro sobre as galáxias em espiral. No caso das moléculas de DNA, cada molécula mede 34 x 21 ångströms em cada ciclo completo da dupla hélice, e, na sequência de Fibonacci, os números 34 e 21 são sucessivos.
Mas, nem tudo na natureza segue essa proporção e muitas vezes fazem um esforço tremendo para visualizá-la onde ela não existe. Como a razão áurea tem se revelado interessante em certos aspectos, as pessoas saltam naturalmente à conclusão de que ela também deve ser usada em outros casos nos quais a proporção simplesmente não é encontrada.
É muito gratificante descrever a natureza através de simetrias, razões e medidas unificadas. Isso nos dá uma sensação de controle, e faz parecer que o mundo à nossa volta pode ser melhor compreendido.
Infelizmente, isso nem sempre é verdade, mesmo que nossa mente esteja determinada a encontrar padrões onde eles não existem. No fim, é como uma diferença entre matemática e numerologia: algo que parece impressionante à primeira vista, mas que tem que ceder sob um olhar mais atento.

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