De toda a água subterrânea do planeta, um quinto se encontra no Brasil. Nosso país possuí uma reserva subterrânea com mais de 111 trilhões de metros cúbicos. A cidade de Ribeirão Preto, por exemplo, é totalmente abastecida por reservas subterrâneas.
Tomando como base a região metropolitana de São Paulo, por volta de 3 milhões de habitantes recebem água subterrânea. O estado de São Paulo é atualmente o maior usuário das reservas subterrâneas do país, sendo 65% da zona urbana e aproximadamente 90% das indústrias abastecidas de forma parcial ou total pelos poços.
Os primeiros vestígios da utilização das águas subterrâneas são de 12.000 anos antes de Cristo. Desde os primórdios da história das civilizações as águas subterrâneas são utilizadas pelo homem, através de poços rasos escavados. Foi atribuído aos chineses o início da atividade de perfuração, já que em 5.000 antes de Cristo, eles já perfuravam poços com centenas de metros de profundidade.
É essa água subterrânea que abastece os chamados poços artesianos, nome dado quando é feita a perfuração do solo para a captação de água e a própria pressão natural é capaz de levá-la até a superfície, e poços comuns.

Um aquífero é um reservatório subterrâneo de água situado em regiões que apresentam solos e rochas permeáveis o suficiente para permitir a penetração, armazenamento e circulação interna da água advinda da superfície. A água é filtrada enquanto passa pelos poros existentes no relevo, o que permite a formação de nascentes, lençóis freáticos, rios e recursos hídricos com grande quantidade de água potável. Por isso, os aquíferos possuem grande relevância ambiental.
No Brasil, estima-se que existam 27 aquíferos, com destaque para os dois maiores e mais importantes: o Guarani, situado no Centro-sul e que se estende por outros países e o Alter do Chão, localizado na região Norte. Apesar da importância desses aquíferos, eles estão sendo afetados pela poluição humana, principalmente pelas atividades industriais e agrícolas.


Aquifero Guarani

O Guarani é o maior aquífero transfronteiriço do mundo, abrangendo o Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Ele tem 1,2 milhões de km² de extensão territorial, sendo que 70% está em território brasileiro. A reserva hídrica atinge 40 trilhões de m³. Quer saber se ele pode estar abaixo de você? O Guarani está distribuído entre os estados de Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.
Com cerca de 1,2 milhão de quilômetros quadrados, o Aquífero Guarani está presente em quatro países sul-americanos: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Aproximadamente 70% desse reservatório de água está localizado no Brasil, espalhado pelo subsolo de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
A estrutura geológica da região que abrange o Aquífero Guarani é responsável pelo armazenamento de água no subsolo. Essa área é formada por rochas sedimentares, muita areia e pouca argila, características que facilitam a absorção das águas das chuvas, que, após absorvidas, ficam confinadas em rochas impermeáveis a centenas de metros de profundidade.


A quantidade exata de água armazenada nesse aquífero ainda é uma questão a ser esclarecida. No entanto, estimativas apontam para uma média de aproximadamente 40 trilhões de metros cúbicos. Esse potencial é explorado através da perfuração de mais de mil poços com profundidades de 100 a 300 metros, fornecendo água para milhares de pessoas no país.
Apesar da importância do Aquífero Guarani, as atividades humanas, sobretudo as industriais e agrícolas, têm provocado a contaminação da água. Os maiores vilões desse processo são o agrotóxico utilizado na agricultura e o vinhoto (resíduo da destilação fracionada da cana-de-açúcar), que atingem o reservatório.
Com intuito de utilizar a água do aquífero de forma sustentável e planejada, está sendo desenvolvido o Projeto de Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Sistema Aquífero Guarani. Esse projeto, elaborado em conjunto pela Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, visa ao uso racional da água e à preservação do Aquífero Guarani.



Alter do Chão ou Sistema Aquífero Grande Amazônia

Localizado sob os estados do Pará, Amapá e Amazonas, o SAGA (ou Sistema Aquífero Grande Amazônia) tem 162.520 km³ de água. A quantidade é equivalente a 150 quatrilhões de litros e poderia abastecer toda a população do planeta durante 250 anos. É o maior aquífero conhecido do mundo, e reserva metade da água presente no Brasil. Atualmente, ele fornece água apenas para cidades vizinhas, como Manaus e Santarém.
A existência de um aquífero na Amazônia sempre foi de conhecimento dos estudiosos em Ciências da Terra, mas, em 2010, descobriu-se que suas reservas poderiam ser muito maiores do que se imaginava anteriormente. O seu volume estimado é de 86,4 mil km³ de água, o suficiente para garantir a liderança mundial em reservas hídricas, superando com mais que o dobro de quantidade o Aquífero Guarani, o segundo colocado, com 37 mil km³, embora a área de ocupação desse último seja bem superior.
O aquífero da Amazônia é do tipo misto, isto é, com características de dois tipos diferentes: uma parte superior do aquífero livre de 50 metros de profundidade e uma parte inferior do aquífero confinada em 430 metros, segundo dados do CPRM (Serviço Geológico Nacional). As rochas da região são do tipo sedimentar, compostas predominantemente por argilito e arenito, o que permite uma maior acessibilidade aos poços de água, já que tais formações não dificultam a perfuração.
Ao todo, o aquífero Alter do Chão ocupa uma área de 437,5 mil km². Várias cidades da região Norte utilizam-se das reservas de água disponibilizadas, incluindo Manaus, que conta com 40% de seu abastecimento oriundo desse aquífero. É em Manaus, no entanto, que ocorre também a maior parte da contaminação dos solos dessa reserva, graças a problemas no que diz respeito ao tratamento da água e ao saneamento ambiental. O crescimento da atividade agropecuária na região Norte também poderá representar uma ameaça, caso sejam empregadas grandes quantidades de defensivos agrícolas.


A sustentabilidade do aquífero Alter do Chão também perpassa pela conservação da floresta. Isso porque boa parte de seu abastecimento vem da grande quantidade de chuvas existentes na região, o que ajuda a explicar o grande volume de água mesmo em uma área menor que a do Aquífero Guarani. Essa elevada pluviosidade é gerada pela umidade intensa produzida pela própria Floresta Amazônica, que, por sua vez, utiliza-se dos recursos hídricos para a realização da evapotranspiração, com o “bombeamento” da água dos solos para a atmosfera, o que se relaciona também com os Rios Voadores.
Por esse motivo, entende-se que há uma necessidade de ações por parte de todas as esferas do poder público no sentido de garantir a manutenção dos espaços naturais nas regiões da Floresta Amazônica, sobretudo na área do referido aquífero. Afinal, uma ampliação do desmatamento colocaria em risco a disponibilidade de um importantíssimo recurso hídrico, que, se devidamente explorado, poderá perpetuar-se para as próximas gerações.

O aumento crescente da utilização das reservas hídricas subterrâneas se deve ao fato que, geralmente, elas apresentam excelente qualidade e um custo menor, afinal dispensam obras caras de captação, adução e tratamento. Nos últimos 25 anos foram perfurados por volta de 12 milhões de poços no mundo. No Brasil, observa-se cada vez mais um aumento da utilização da água subterrânea para o abastecimento público.

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