Eles são pequenos, medem no máximo 1,5 centímetro de comprimento, existem em números prodigiosos e mudam de cor. São camarões da espécie Hippolyte obliquimanus, que vivem ao longo de todo o litoral brasileiro, sempre associados a bancos de algas.
Na região de São Sebastião (SP), são encontrados aos montes no meio dos sargaços, algas marrons que atingem até 2 metros, e de uma alga avermelhada um pouco menor. Tais camarões se dividem em dois tipos morfológicos. Há os homogêneos com variabilidade de cor (H) e os transparentes com listras, bandas de cores ou bolinhas (T). Os dois pertencem à mesma espécie.
A cor desses camarões é dada por pigmentos que ficam em células de cor chamadas cromatóforos. A sua coloração se altera de acordo com a disposição dos cromatófaros.


Um grupo de pesquisadores descobriu nesses crustáceos a capacidade de mudar de cor para se camuflar entre algas marrons ou vermelhas para escapar dos predadores. A tática de camuflagem, que lembra a dos camaleões, rendeu o apelido de carnival shrimp (camarão carnavalesco), dado pelos autores da descoberta. O estudo teve apoio da FAPESP e os resultados foram publicados na BMC Evolutionary Biology.
Durante a coleta de animais no litoral, chamou a atenção dos pesquisadores o fato de, entre os camarões capturados nos bancos de sargaços, haver muitos exemplares marrons, mas também verdes, amarelos, rosas, vermelhos e pretos. Já no banco de algas vermelhas os camarões eram preponderantemente vermelhos.
Em laboratório, foram realizados experimentos para averiguar a capacidade e o tempo de mimetização dos animais, examinados em aquários com sargaços e algas vermelhas, tanto verdadeiros como de plástico.


Os resultados foram surpreendentes. Os cientistas verificaram que os animais do morfotipo H (coloridos) mudavam de cor rapidamente, em questão de minutos, para se camuflar entre os sargaços ou as algas.
Nenhum exemplar mudou de cor na presença de algas artificiais, levando a crer que existe algo que as algas liberam na água e que afeta os camarões, fazendo-os mudar de cor.

Entre os sargaços, a mimetização não ocorreu por igual. Embora a maioria dos camarões exibisse tonalidades de marrom, havia entre eles indivíduos de outras cores. No caso da alga vermelha, a mimetização se mostrou mais eficiente, com todos os animais avermelhados ou em gradações de rosa.
Tal eficiência pode ser porque os bancos de algas vermelhas têm uma distribuição marginal nas águas de São Sebastião. Há menos bancos dessas algas e os camarões são encontrados em menor número e essas algas oferecem menor proteção porque não tem muita altura. Assim, quanto menos animais no banco de algas, maior a necessidade de terem camuflagem mais eficiente para evitar serem capturados pelos peixes, já que a proteção é menor.
Os bancos de sargaços (algas marrons) predominam no ambiente, onde a densidade de camarões é imensa, existem em média 150 camarões por quilo de alga. Uma densidade tão elevada de animais vivendo entre os sargaços significa menores chances individuais de predação. Logo, a mimetização não precisa ser tão eficiente como a dos camarões que vivem entre as algas vermelhas.
No Reino Unido, existe um camarão da mesma família que é verde, porque as algas que predominam por lá são verdes.


Outro dado observado é que as colorações, quaisquer que sejam, só são exibidas durante o dia. À medida que escurece, os crustáceos se desbotam até ficar transparentes, translúcidos ou azulados.
Segundo os pesquisadores, existem muitas outras espécies com estratégias de camuflagem no litoral brasileiro. Mudanças de cor rápidas são esperadas para espécies de crustáceos com exoesqueleto fino, no qual uma quantidade relativamente pequena de pigmentos pode surtir efeito e, além desses pequenos camarões, eles esperam encontrar essas mudanças rápidas de cor também em outros grupos de crustáceos.

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