Esta árvore pode chegar a até oito metros de altura; pertence à família Dilleniaceae (a família recebe este nome por que Dillenia foi o primeiro gênero descrito para a mesma), e é conhecida no Brasil por vários nomes populares, dentre eles os mais utilizados são: dilênia, maçã-de-elefante, bolsa-de-pastor, árvore-da-pataca, fruta-cofre, árvore-do-dinheiro.


A Dilênia (Dillenia indica), originária da Ásia Tropical, pode ser encontrada também em vários outros países de clima tropical. Encontra-se distribuída por toda a Índia, Bornéu e Filipinas, mas também pode ser encontrada em vários outros países de clima tropical. As primeiras mudas desta espécie foram plantadas no Jardim Botânico do Rio – criado por Dom João VI em 1808 – para aclimatação das plantas vindas do Oriente, assim como várias outras espécies asiáticas.


O nome Pataca ou fruta-cofre tem uma origem muito interessante. Acontece que quando a flor é fecundada, o verdadeiro fruto se forma no centro e as extremidades da flor se curvam sobre o fruto para protegê-lo formando uma bola quase compacta. Qualquer coisa que esteja aderida à flor, seja um inseto ou qualquer outra coisa pequena, ficará aprisionada no interior da estrutura madura.
Dizem que Dom Pedro I colocava moedas (patacas) junto à flor para fazer brincadeira com seus conterrâneos, dizendo que por aqui o dinheiro nascia em árvores. O truque era usado como uma pegadinha para diversão com todos os portugueses que vinham da corte. O trote morreu por ali, mas o nome ficou.


Suas folhas medem cerca de 30 cm de comprimento, são de coloração verde claro, com nervuras bem delimitadas. Suas flores são lindas, solitárias e parecem com as flores de magnólia. Os frutos podem chegar a 20 cm de diâmetro e são formados por escamas que vão se imbricando, dando a fruta o aspecto de um botão de rosa. O florescimento ocorre a partir de janeiro e pode ir até outubro. A dilênia se torna muito bonita, pois ao mesmo tempo encontram-se flores e frutos de todos os tamanhos, variando do verde claro ao amarelo dourado. Quando plantada em vias públicas pode se tornar problemática e até mesmo perigosa, pois a quantidade de frutos produzida é muito grande, podendo cair em cima de carros e até mesmo de pessoas que estejam passando sob sua copa.


Nos países de origem desta árvore, as folhas são usadas como lixas para polir madeira, além de outros utensílios como pratos e copos. A madeira é muito resistente, sendo empregada na fabricação de rodas hidráulicas, obras de carpintaria e na indústria naval.


O uso na cozinha
Apesar de ser um verdadeiro coringa na culinária, parece que o uso da fruta como espécie comestível também não vingou, diferente de outras espécies asiáticas como a jaca ou a fruta-pão. Talvez pela fartura de outras frutas ou o cheiro forte que a dilênia tem. Começa com um cheiro agradável de manga ou maracujá, depois, conforme vai amadurecendo mais, desanda para algo meio cebola, meio alho, e a partir daí começa a ficar esquisito demais, a ponto de ter que tirar a fruta do ambiente.
O fato é que nos locais de origem, a fruta é usada principalmente como ingrediente acidificante. Mordendo um pedaço da sépala tem-se a sensação de estar diante de um pedaço de maçã verde ainda não madura.
Quando os frutos estão mais verdes, pode ser cozido, batido no liquidificador e coado para extrair a fibra. O caldo obtido é ácido, só um pouco adocicado e pode ser usado como um suco tipo tamarindo, para cozinhar carnes, fazer curry, temperar lentilhas, fazer molhos, juntar a outras frutas sem acidez pra fazer geleias etc.


O bom de cozinhar antes de bater é que se pode aproveitar a parte não fibrosa, que passa cozida pela peneira, para espessar molhos e sopas. A cocção evita que o suco oxide, fato que acontece com o produto cru. Mas é possível também bater os pedaços de sépala crua no leite, que vira uma coalhada para ser tomada na hora. Os frutos verdes cozidos também podem ser empregados no preparo de picles.
No Panamá, o fruto maduro é comido cru ou cozido ou no preparo de doces e sorvetes. O suco obtido pode ser usado para acidular, temperar e amaciar carnes, além de ser consumido como refresco.

A sua ação terapêutica ainda está sendo estudada, mas alguns dados já são conhecidos. Popularmente é preparada uma tintura de seus frutos maduros para dores musculares e articulares. Existem alguns estudos mostrando que, para o tratamento de artrose, tem se mostrado um excelente coadjuvante. Como todos sabem, as articulações são pouco irrigadas e existe certa dificuldade do medicamento chegar até ao local para poder agir. Mas com a dilênia, ainda não se sabe bem como, a sua ação é muito rápida, amenizando a dor em poucas horas.

 

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