Biólogos da Universidade do Sul da Dinamarca e do Institudo da Universidade de Kiel, na Alemanha,  analisaram o processo de envelhecimento de 46 espécies diferentes de seres — incluindo mamíferos, plantas, fungos e algas – e descobriram que existe uma espécie de hidra que pode ser praticamente imortal, já que se fortalece com o passar dos anos.
A Hydra magnipapillata é um pólipo que costuma viver em águas doces, frias e limpas, um animal microscópico cujo corpo tem formato cilíndrico.

Enquanto sabe-se que os humanos, mamíferos e pássaros tendem a enfraquecer com o envelhecimento, os cientistas descobriram que a hydra tem baixa mortalidade e seu risco de morrer em condições laboratoriais é tão baixo que ela pode ser considerada imortal.
O segredo? Uma produção respeitável de células-tronco.
Tanto nos humanos como em outros animais, o envelhecimento se deve basicamente à diminuição da produção de células-tronco (células que permitem a regeneração de tecidos) no organismo. Se não fosse por esse fenômeno, poderíamos ser imortais como a hidra – que tem sido objeto de pesquisas sobre o envelhecimento há anos.

Por trás disso tudo está um gene que denomiram FoxO.
Ao analisar três tipos de hidra (normal, com o gene desativado e com o gene fortalecido), o grupo de pesquisadores observou a importância do gene FoxO no envelhecimento. Nos animais em que ele estava desativado, a produção de células-tronco foi significativamente reduzida e o sistema imune foi prejudicado de modo similar ao observado em idosos.
“O Fox0 se mostrou particularmente ativo em pessoas com mais de cem anos, e é por isso que acreditamos que ele desempenha um papel fundamental no envelhecimento – não apenas na hidra, mas também em humanos”, explica o pesquisador Thomas Bosch, do Instituto Zoológico da Universidade de Kiel (Alemanha).

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Contudo, verificar essa hipótese em humanos demandaria manipulação genética, o que inviabiliza a pesquisa. Ainda assim, o estudo com a hidra permitiu grandes avanços na compreensão do envelhecimento.
Para muitas espécies, a mortalidade aumenta com o passar do tempo — esse é um padrão encontrado na maioria dos mamíferos (incluindo os humanos), mas que também ocorre com os invertebrados. Já entre as espécies que ganham força conforme envelhecem, os pesquisadores identificaram a tartaruga-do-deserto, que tem uma alta taxa de mortalidade nos primeiros meses, mas pode viver até 80 anos. Descobriu-se também que as árvores do tipo mangue-branco seguem o mesmo padrão.

Os pesquisadores afirmam que não faz sentido basear o envelhecimento no quão velhas as espécies podem ficar; que, em vez disso, é mais interessante definir o envelhecimento com base na trajetória da mortalidade: se essa taxa aumenta, diminui ou se mantém constante ao longo da vida.
No futuro, pesquisadores pretendem estudar mais a fundo o funcionamento do gene e descobrir como questões ambientais podem afetá-lo – o que possivelmente dará margem a métodos para retardar o envelhecimento.

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