A luta contra a desertificação e as alterações climáticas pode ter um grande aliado na própria natureza. A árvore kiri japonês (Paulownia tomentosa) possui entre outras qualidades a importante propriedade de recuperar um solo improdutivo e deixá-lo apto para ser utilizado com qualquer tipo de cultivo, contribuindo para o combate à desertificação. As suas raízes permitem controlar e estabilizar a erosão do solo. Suas folhas são ricas em nitrogênio e fornecem nutrientes para o solo se recompor.
Como se isso não bastasse, a árvore kiri japonês cresce muito rápido. E não é só isso, esta árvore absorve 10 vezes mais dióxido de carbono do que qualquer outra árvore e emite muito mais oxigênio. Tem ainda a possibilidade do aproveitamento da folhagem para o gado, o uso potencial para reflorestamento de terras degradadas, além de seu valor como planta ornamental.
A kiri é uma árvore originária do norte da China e Coréia. É encontrada também no Japão e foi introduzida na Europa em 1834. Na China, existe uma tradição milenar de plantar um kiri quando nasce uma criança.


São árvores decíduas (ficam sem folhas no inverno) que podem alcançar até 25m de altura com um tronco de até 1m de diâmetro. As folhas são pilosas, verde escuro com forma ovalada e de coração, distribuídas nas hastes de maneira oposta e alternada. As flores aromáticas são tubulares, de coloração lilás. O fruto é uma cápsula seca oval contendo milhares de sementes minúsculas. A madeira oriunda de seu caule é bastante leve.
Suas características fisiológicas permitem que esta árvore se adapte a uma grande variedade de climas. Seu porte é reto e com poucos nós, o que a torna interessante para a indústria madeireira. Após o corte se regenera de forma vigorosamente até sete vezes.


Deve ser cultivada sob sol pleno, em solos profundos, não arenosos, preferencialmente enriquecidos com matéria orgânica e irrigados no primeiro ano de implantação. Após este período as regas podem ser deixadas por conta das chuvas e depois de bem estabelecida ela é muito resistente à estiagem. Tolerante ao frio invernal, geadas e poluição ambiental. Resistente também a incêndios, rebrotando com vigor a partir de suas raízes. As podas anuais, realizadas sempre após o florescimento, estimulam intensas florações no ano seguinte e ajudam a controlar o porte e a forma da árvore. Multiplica-se por estaquia, alporquia e por sementes. As sementes devem ser colhidas dos frutos já secos, quando estão iniciando a abertura natural.


Economicamente, o cultivo da árvore kiri japonês pode ser orientado para a obtenção de biomassa ou para a produção de madeira de excelente qualidade, ambas muito rentáveis. Seu principal valor comercial e industrial encontra-se em seu rápido crescimento, muito maior do que o alcançado por outras espécies arbóreas, tornando-se muito produtiva e rentável.
A sua madeira é de excelente qualidade, sendo muito leve e forte, apresentando uma secagem rápida e não se deforma facilmente. O país com a maior demanda por esta madeira é o Japão.
Além da grande versatilidade na aplicação a madeira, o kiri possui especial aplicação nas artes plásticas, especialmente no uso pelos escultores precisamente por causa de sua suavidade. Por outro lado, as Paulownia acumulam os taninos na madeira tornando-a resistente à invasão de carunchos e cupins.
A árvore kiri japonês também é plantada como fonte de néctar. Suas flores são abundantemente ricas em néctar e o mel obtido a partir delas é de alta qualidade. Suas qualidades surpreendentes fizeram dela uma espécie de planta obrigatória também para parques e jardins, não só na Ásia, mas também nos EUA e na Europa.


Em vista de seus benefícios, o estado do Texas nos Estados Unidos começou a implementar um projeto chamado Kiri Revolution (A Revolução Kiri), que consiste em plantar um milhão de Kiris a fim de recuperar as áreas com solos degradados. O projeto tem o objetivo, além da recuperação dos solos, de combater as alterações climáticas por sua absorção até dez vezes mais de dióxido de carbono do que qualquer outra árvore no mundo, além de emitir grandes quantidades de oxigênio.
Se essa experiência for bem sucedida, a árvore mais resistente do mundo poderá ajudar a recuperar muitas regiões do nosso planeta cada vez mais degradado.

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