Famoso, polêmico e amplamente usado em todo o mundo, o glifosato voltou a aparecer nas manchetes nas últimas semanas. Acusado de ser cancerígeno, o agrotóxico, responsável por eliminar ervas daninhas nas plantações, domina mais da metade do mercado mundial de herbicidas e, segundo a consultoria Grand View Research, movimentará 8,5 bilhões de dólares em 2020.
A Monsanto, gigante multinacional americana do setor de agricultura e biotecnologia, tem a substância como princípio ativo do seu herbicida, o Roundup. Se não bastassem as críticas recebidas por conta da venda do agroquímico, a empresa comprou a alemã Bayer, numa transação que a transformou na maior fornecedora de sementes e agroquímicos do mundo.
O glifosato surgiu comercialmente no começo dos anos 70, está registrado em mais de cem países e pode ser adquirido por qualquer pessoa. Quimicamente é considerado como um herbicida não-seletivo, ou seja, mata a maioria das plantas. Não por coincidência, a Monsanto produz e vende uma linha de sementes batizadas de Roundup Ready, que são geneticamente modificadas para resistir ao glifosato. Antes das pesquisas relacionadas ao câncer, o herbicida era popularmente tido como uma solução segura para lavouras de milho, soja e crescimento de pasto.

Para matar as ervas daninhas e outras espécies não resistentes, o glifosato impede que a planta produza algumas proteínas fundamentais para seu crescimento, além de interromper uma importante via enzimática fundamental para a sobrevivência dos vegetais.
O glifosato é uma molécula química que foi sintetizada e que tem a capacidade de produzir um caminho alternativo para as plantas que recebem esse produto. E esse caminho alternativo acaba sufocando a planta quando ocorre, portanto, a interrupção da produção de três aminoácidos. Com isso, as proteínas que são formadas são defeituosas, e as plantas acabam morrendo porque não conseguem sintetizar as proteínas adequadas.
O destino do glifosato é para matar plantas que não são desejáveis num certo espaço. Em relação à saúde humana, ele mimetiza certos hormônios. Por exemplo, ele pode entrar no cordão umbilical durante a gestação e afetar o desenvolvimento do bebê. Além disso, ele é considerado um desruptor endócrino, ou seja, ele vai acionar genes errados, no momento errado, no órgão errado.

Recentemente, cientistas do MIT publicaram estudos condenatórios sobre o glifosato, alertando para o aumento da taxa da doença e afirmando que o produto será o responsável por este aumento em até 50% dentro de mais dez anos.
Além disso, o uso excessivo de glifosato em nossa alimentação está causando doenças como Alzheimer, autismo, câncer, doenças cardiovasculares e deficiências da nutrição, entre outros.
Atualmente, 1 em cada 68 crianças nos EUA nascem com autismo. Atualmente é a deficiência de desenvolvimento de mais rápido crescimento, com taxas aumentando em quase 120% desde o ano de 2000. No ano 2025, uma a cada duas crianças poderá ser autista.
Grande parte dos alimentos em prateleiras de supermercado contém milho e soja transgênicos, todos com pequenas quantidades de vestígios de glifosato. Isto inclui refrigerantes adoçados com alto teor de frutose (geneticamente modificados) e xarope de milho, batatas fritas, cereais, doces, e até mesmo barras de proteína de soja.
Grande parte de nossa carne e aves também é alimentada com uma dieta de milho e soja transgênicos, os quais também contêm traços de glifosato.
Você acha que seu pão está seguro? Pense de novo. O trigo é frequentemente pulverizado com Roundup nas vésperas da colheita, significando que, exceto que seus produtos sejam certificados como orgânicos, eles provavelmente contêm traços de glifosato.

Quando somamos todas essas informações, podemos perceber que estamos almoçando e jantando glifosato em quase todos os alimentos que ingerimos e ele causa doenças graves.
A pesquisa aponta para um dado muito importante quando nos mostra que, embora os traços de glifosato em cada alimento possam não ser muito altos, é o seu efeito cumulativo que é motivo de preocupação.
A preocupação dos pesquisadores é muito bem fundamentada, considerando que tem sido encontrado glifosato no sangue e na urina de mulheres grávidas e ele tem aparecido até mesmo em células fetais.

Boas novas
Em uma medida que deverá ter profundas ramificações, a começar pela União Européia, o governo da França decidiu banir o uso de agrotóxicos que tenham o glifosato como ingrediente ativo. Nesse sentido, em entrevista ao canal France3. a ministra da Ecologia da França, Segolene Royal, declarou que país deve se colocar na ofensiva em relação ao banimento de agrotóxicos. Na mesma entrevista, Segolene Royal informou que solicitou aos estabelecimentos comerciais  atuando na área da jardinagem que suspendam a comercialização de produtos que tenham o glifosato em sua formulação.

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