As rolhas são feitas a partir da casca de uma determinada espécie de árvore de carvalho (Quercus Suber) da onde se extrai a cortiça, os chamados sobreiros. Pode-se dizer esta espécie de árvore de carvalho é prima dos tipos de carvalho que são usados no barril de envelhecimento dos vinhos. O sobreiro cresce em uma zona de clima limitado, e por várias razões, entre elas a guerra civil na Espanha e instabilidade econômica na Argélia, Portugal tem vindo a dominar a produção moderna de cortiça. O país é o lar de cerca de metade das árvores produtoras de cortiça comerciais do mundo, espalhadas por mais de 1,6 milhões de acres de floresta.

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Numa floresta de sobreiros desse tamanho existe uma apenas que realmente se destaca: o mais antigo e mais produtivo sobreiro existente no mundo. É chamado de O Assobiador, em Águas de Moura, no Alentejo. Plantado em 1783, este sobreiro tem mais de 14 metros de altura e 4,15 metros de perímetro do tronco. Seu nome se originou devido ao som originado pelas numerosas aves canoras que abriga na sua ramagem. Desde 1820, já foi descortiçado mais de vinte vezes.
Para colocar O Assobiador (The Whistler Tree) em perspectiva, vamos dar uma olhada em um sobreiro típico:
– Uma árvore de cortiça é explorada pela primeira vez quando está madura, aos 25 anos de idade.
– A cortiça pode, posteriormente, ser colhida a cada 9 a 12 anos, que é o tempo de espera para a casca do tronco se regenerar.
– A expectativa média de vida de um sobreiro é de cerca de 200 anos.
– Quando a cortiça de uma árvore típica é colhida, ela vai render cerca de 100 libras de casca de árvore, o suficiente para cerca de 4.000 rolhas. Este número pode variar um pouco dependendo da idade da árvore.

No caso do Assobiador, a colheita de 1991 foi a mais famosa e a maior já registrada. Foram retirados 2,645 libras de cortiça, ou seja 1,2 toneladas. Isso levou ao recorde de 100 mil rolhas individuais.

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Numa matemática rápida, podemos afirmar que esta colheita sozinha foi responsável por mais rolhas de algumas árvores produzem em toda a sua vida de 200 anos.
A colheita da Whistler foi um pouco mais modesta depois, mas pensando que ela vem sendo colhida regularmente desde 1820, estima-se que deve ter rendido a matéria-prima para mais de 2 milhões de rolhas.
Ela produz cortiça desde 1820, ou seja, há quase 200 anos. Ela tinha 5 anos quando os primeiros colonos ingleses chegaram à Austrália e 6 anos de idade, quando a Revolução Francesa começou em 1789. Garrafas de vinho vedadas com cortiça no mesmo ano foram recentemente descobertas em uma adega francesa, e ambos, vinhos e rolhas, estavam todos em bom estado. A cada nove anos produzindo 1 tonelada da casca, só esta árvore deu por volta de 20 toneladas de cortiça.

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Tal como o Assobiador na planície do Alentejo, milhões de outros sobreiros em toda a bacia mediterrânea suportam uma ecologia única e frágil que constitui um habitat para espécies raras ou em vias de extinção. Estas florestas formam ricos ecossistemas em biodiversidade e estão equiparadas a paraísos como a Amazônia, os Andes ou o Bornéu.
Perfeitamente adaptados ao clima quente e à terra árida, os montados protegem contra a erosão e desertificação e são uma barreira natural anti-incêndios devido à fraca combustão da cortiça que funciona como a epiderme do sobreiro.
As raízes retêm a água da chuva, formando bacias hidrográficas vitais, e retiram os nutrientes de níveis profundos, que mais tarde serão devolvidos ao solo através das folhas, transformando-se em adubo natural.

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