A pistacheira (Pistacia vera) é uma planta perene da família das Anacardiáceas, arbustiva, de 3 a 8 metros de altura e dióica (cada planta produz flores femininas ou masculinas). Devido a essa característica, é indispensável, para que ocorra a frutificação, o plantio de plantas masculinas e femininas, na proporção de 1:6 ou 1:8, respectivamente.
As flores não têm pétalas e são emitidas ao longo dos ramos, em panículas (cacho). Os frutos (pistaches) são drupas (têm caroço no interior) e de formato ovoide.
A semente ou a amêndoa é coberta por uma casca grossa e firme que pode abrir parcialmente. A amêndoa é formada por um embrião e dois cotilédones grandes (órgãos de reserva), de cor esverdeada, que é a parte comestível.


A história dos pistaches está diretamente ligada à realeza, perseverança e orgulho. O fruto começou a ser cultivado nas Terras Santas do Oriente Médio, nas regiões do alto deserto.
Segundo a lenda, os amantes se encontravam em baixo das árvores para ouvirem o estalo dos pistaches se abrindo. Eles faziam isso à noite, à luz do luar, para terem boa sorte.
Desde 6750 AC, os pistaches eram considerados um fino tira-gosto, muito apreciado pelos nobres. A Rainha Sheba, da Assíria, monopolizou toda produção do fruto para seu prazer e seus admiradores.
O pistache começou a ser importado pelos comerciantes americanos em meados de 1880, a princípio para os cidadãos americanos originários do Oriente Médio.
Cerca de 50 anos depois, os pistaches tornaram-se um petisco popular. Esses frutos importados eram tingidos de vermelho para chamar atenção e disfarçar as manchas causadas pelas técnicas antiquadas de colheita.
Em 1929, o agrônomo americano, William E. Whitehouse passou seis meses na Pérsia (atualmente o Irã), coletando sementes e analisando muitas variedades para achar o pistache mais distinto.
Ele voltou à América, trazendo um saco com nove quilos de sementes, de variedades distintas de pistache para ver os quais se adaptariam melhor às terras californianas.
No ano seguinte, foram realizados vários experimentos com plantações de pistaches na Califórnia – lugar considerado perfeito, devido ao clima semelhante ao deserto.
Como uma árvore de pistache leva de sete a 10 anos para dar frutos, somente em 1950 os resultados apareceram.
A variedade foi chamada de Kerman em homenagem à cidade que ficou famosa pela produção de tapetes e que fica perto de onde as sementes eram colhidas.
A primeira safra destinada ao mercado, que continha 681 toneladas, foi colhida em 1976, numa área de plantação de 4.350 acres. Hoje, a Califórnia apresenta mais de 96.000 acres de plantação e fatura mais de 100 vezes o valor da primeira safra.


As condições climáticas favoráveis para a frutificação são: verão longo, quente e seco e inverno moderadamente frio ou frio. Existem variedades com maiores ou menores exigências de baixas temperaturas no inverno, para estimular o florescimento e a frutificação.
Na Califórnia (USA), as variedades cultivadas necessitam mais de 1.000 horas de temperatura abaixo de 7º C. A propagação é feita por sementes ou por enxertia, sendo o segundo o mais recomendado para ganhar tempo.
Os maiores produtores mundiais de pistache são: o Irã, Turquia, Estados Unidos (Califórnia), Tunísia, Síria e China. No Brasil, não existe plantio comercial. Portanto, todas as amêndoas, bastante apreciadas e consumidas pelos brasileiros, são importadas.
A frutificação ocorre 5 a 7 anos após o plantio no campo e uma planta adulta produz 3 a 5 quilos de frutos secos por planta por safra, durante 80 a 90 anos. Essa variação na produtividade é motivada principalmente pelo ciclo bianual, isto é, um ano a planta produz bem e no outro, menos.


A parte comestível é a amêndoa. As amêndoas, com o protetor parcialmente aberto, podem ser consumidas depois de salgadas e torradas, como aperitivo e aquelas com o protetor fechado, depois da sua remoção mecânica, usadas nas indústrias alimentícias, de cosméticos e farmacêuticas. Há indicações do seu uso como medicinal.
O pistache apresenta bom valor nutritivo, alto teor de fibras e elevado teor de lipídios e proteínas.
Os Pistaches apresentam nutrientes essenciais ao bom funcionamento do organismo e um tipo de gordura que ajuda a reduzir o nível do colesterol ruim. O produto traz benefícios à saúde e podem ser consumidos sozinhos, como aperitivo, ou usado para fazer sorvetes, doces e salgados.


O fruto é rico em fitosterol, substância que está diretamente associada à redução do nível do colesterol e que é um aliado na prevenção de certos tipos de câncer.
Por isso, devem ser incluídas na alimentação diária. Evidências científicas demonstram que mudar para uma dieta rica em gordura monosaturada, sem diminuir a gordura total, é um ato positivo para a saúde. Ele também é fonte de muitos nutrientes importantes (ver tabela abaixo).
O produto também é rico em fibra, sendo que uma porção de pistache tem mais fibras do que meia xícara de brócolis ou espinafre.
Para preservar todas as substâncias do fruto são tomados cuidados extremos desde a plantação, colheita, tostagem até o empacotamento. Os pistaches são processados dentro de 12 a 24 horas após a colheita, evitando-se assim, que as cascas não fiquem manchadas.
A indústria californiana investe milhares de dólares em equipamentos para processamento rápido de seus pistaches, tendo como objetivo manter a qualidade do produto.
Os frutos devem ser armazenados em recipientes hermeticamente fechados, caso contrário, absorvem a umidade do ar e podem perder a crocância. Se forem mantidos em geladeira ou no freezer, duram mais de um ano.


Tabela nutricional do pistache:
Vitamina A: Auxilia a visão noturna, estimula a produção das células do corpo e do tecido.
Vitamina B-1 (Tiamina): Ajuda as células a produzirem energia por meio do carboidrato.
Vitamina B-6: Auxilia na produção de proteínas, que são usadas na criação de células do corpo. A vitamina B-6 ajuda na produção de importantes substâncias químicas, como insulina, hemoglobina e anticorpos que combatem às infecções.
Cálcio: Essencial para a formação de dentes fortes, contrações musculares (inclusive as do coração), atuando no bom funcionamento das funções nervosas.
Cobre: Ajuda as células a produzirem energia e atua na produção de hemoglobina que transportam oxigênio no sangue.
Vitamina E: Mantém células e tecidos saudáveis e age como anti-oxidante, podendo prevenir doenças coronárias e o câncer.
Ferro: Fundamental no transporte de oxigênio para as células.
Magnésio: Componente de ossos saudáveis e parte importante de mais de 30 enzimas que regulam muitas funções corporais, como a contração muscular.
Fósforo: Regenera células e é importante na otimização do emprego de carboidratos, proteínas e gordura pelo corpo.
Potássio: Vital para contração muscular e impulsos nervosos. O potássio ajuda a manter os músculos mais firmes das pessoas que fazem exercícios regularmente.
Selênio: Atua no crescimento de células e age como anti-oxidante junto à vitamina E, protegendo as células de danos que podem levar às doenças coronárias e câncer
Zinco: Essencial para o crescimento. Promove a reprodução celular e o crescimento de tecidos, reparando e cicatrizando feridas.

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