A região era uma maravilhosa formação natural, mas hoje está longe de ser a mesmice que encontramos em boa parte das praias do mundo, onde a areia comum predomina. Nesta, o que vemos são centenas de milhares de pedaços de cartilagem e ossos de peixe!


A história da maior praia da Califórnia, a Salton Sea Beach, representa um verdadeiro conto de terror. Em seu passado, era possível presenciar muitos norte-americanos apreciando as belas praias banhadas por águas cristalinas.
Se antes a areia da praia era um local de festas entre jovens e encontros de famílias nas décadas de 50 e 60, hoje é o lar de milhões de peixes mortos que dominaram a área. Na verdade, o que se encontra no chão são ossos pulverizados de peixes que morreram ali. Por qual motivo? Bem, precisamos entender primeiro como o chamado “milagre do deserto” surgiu.


Salton Sea emergiu através de um acidente que aconteceu em 1905, nos Estados Unidos, quando a irrigação de um canal do rio Colorado foi destruída depois de fortes tempestades e milhões de litros de água tomaram a área californiana.
Logo tornou-se um lugar turístico e celebridades da época eram encontradas com frequência na região. Como o paraíso era composto por um lago artificial, era bem provável que a diversão tivesse data de validade. Sem possuir uma entrada ou uma saída que permitisse o fluxo da água, acabou absorvendo o sal, os pesticidas e fertilizantes que eram utilizados pelos agricultores na região.
Na década de 70, todos os componentes que dominaram a água acabaram resultando na morte de milhões de peixes. A salinidade da água aumentou de 30 a 40%. Seres humanos não podiam permanecer em suas residências correndo o risco de intoxicações fatais. Em um piscar de olhos, o paraíso californiano tornou-se um cenário pós-apocalíptico digno de roteiro hollywoodiano.

Atualmente, Salton Sea é visitado somente por pessoas em busca de cenas para os seus projetos visuais. De acordo com um documentário feito pela BBC, a pior parte não é a água ou a terra, mas o material que se encontra na parte inferior do lago.
Como o nível de água cai, quilômetros de leito do lago estão expostos. A terra ressequida é chutada em tempestades de poeira perigosas que contribuem para a maior taxa de hospitalização por asma no estado. O leito do lago Salton Sea pode ser a maior fonte de poluição do ar na América do Norte, ameaçando a saúde de centenas de milhares de pessoas na Califórnia e no estado mexicano de Baja.


A crescente concentração de sal e diminuição do oxigênio na água matou os peixes no mar e colocou em risco centenas de espécies de aves que dependem da área para seu habitat. Se as tendências atuais continuarem, o lago ficará cada vez mais encolhido e fétido.
Caso a região fique seca, é possível que sejam formadas nuvens tóxicas de poeira capazes de atingir todo o Sul da Califórnia.  O estado comprometeu-se a construir 18.000 a 25.000 hectares de projetos de controle de poeira e habitat na próxima década. Este acordo federal-estadual deve estimular ações imediatas no terreno sobre esses compromissos o que, aos olhos de ambientalistas serão muito poucas para o tamanho do problema.

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