A descoberta do uso cosmético da semente de ucuuba (Virola surinamensis) está ajudando a preservar 65 mil hectares de Floresta Amazônica. A espécie era antes derrubada para exploração madeireira e estava na lista das árvores ameaçadas de extinção.
A arvore é nativa da várzea de toda a região amazônica estendendo sua ocorrência até o Maranhão e Pernambuco. Seu nome significa na língua indígena ucu (graxa) e yba (árvore), ela prefere regiões alagadas, atingindo uma altura de 25 a 35 m.


Uma árvore adulta pode produzir entre 30 – 50 Kg de sementes por ano. As sementes são ricas em gorduras (60 – 70%) e o rendimento pode chegar até 50% por quilo de semente seca. Numa plantação com 150 árvores por hectare poderão ser colhidos até 7 mil quilos de sementes, o que renderia 3500 kg de matéria prima. O crescimento da ucuuba no campo pode alcançar até 3 m em dois anos. A madeira dessa árvore é de excelente qualidade para compensados e laminados, o que está ameaçando intensamente o recurso florestal remanescente.
Pensando em todos esses benefícios a empresa Natura lançou seus produtos da linha de hidratação corporal Ekos Ucuuba e vem contribuindo para a conservação de uma área de 65 mil hectares (o equivalente ao mesmo número de campos de futebol) na Floresta Amazônica ao reverter uma lógica de desmate predatório da espécie. Antes derrubada para exploração madeireira e ameaçada de extinção, a árvore da ucuuba agora é beneficiada por um ciclo virtuoso de preservação e manejo sustentável da espécie.


A semente dessa árvore, presente em áreas alagadas da Amazônia, é fonte de uma manteiga leve e com alto poder hidratante, utilizada nos produtos da linha Ekos Ucuuba. Testes in vitro comprovaram que o seu uso estimula a produção de elastina e colágeno da pele e promovem uma hidratação surpreendente.
Além de estudar as propriedades e comprovar seus benefícios, a empresa tinha o desafio de estruturar a cadeia de fornecimento. Portanto, antes mesmo do lançamento da linha, criaram um projeto de conservação da espécie, há três anos. O uso cosmético da semente de ucuuba prova que a árvore vale mais em pé do que derrubada e isso traz benefícios para todos.
Em parceria com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a Natura estudou a diversidade genética das populações de ucuuba presentes em quatro comunidades no Pará, fornecedoras de sementes para a empresa. A partir da pesquisa e da análise das práticas das populações locais, a empresa promoveu ações positivas para a conservação da espécie.


O programa foi iniciado com a mobilização dos agricultores e técnicos locais, por meio de cursos promovidos nas comunidades para disseminar boas práticas de manejo e conservação da ucuuba, e começaram a monitorar as plantas jovens nas áreas de coleta. Além de garantir a preservação das árvores que já existem, o projeto também viabilizou a produção de 5 mil mudas que foram distribuídas para plantio nas comunidades.


A coleta da ucuuba é feita por cooperativas e comunidades tradicionais parceiras, gerando desenvolvimento e renda para quase 1,2 mil famílias e impactando positivamente a vida de 4,7 mil pessoas na Amazônia. A cada ano, a renda obtida pelos agricultores com uma árvore preservada é três vezes maior do que a obtida pela exploração madeireira. Enquanto a árvore é derrubada apenas uma vez, os frutos são colhidos por no mínimo dez anos. A coleta consciente das sementes possibilita o manejo sustentável da espécie e a perpetuação da floresta em pé, gerando renda a partir de um produto florestal não madeireiro e resignificando o valor do ativo e seu lugar na cadeia produtiva.

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