A colheita urbana (urban foraging) é uma das mais novas tendências alimentares, com os chefs gourmet e entusiastas da alimentação saudável abraçando a ideia. Os nova-iorquinos, entretanto, não podem simplesmente colher grãos e ervas ao explorar seu parque favorito, pois um decreto centenário proíbe plantações de alimentos nas terras públicas da cidade.
Então, criaram um novo projeto colaborativo, chamado Swale, que vem tentando fazer com que a colheita urbana em Nova Iorque seja possível com a criação de espaços públicos comuns, onde as pessoas possam aprender a cuidar de plantas comestíveis e colham alimentos frescos e saudáveis gratuitamente.

 

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A primeira floresta de comida deste tipo foi montada sobre uma balsa flutuante de 24 por 9 metros feita de contêineres marítimos reciclados. É uma obra de arte temporária que visa repensar a comida como um serviço público gratuito e co-criar espaços comuns. A Swale foi conceitualizada pela artista Mary Mattingly e é financiada pela instituição de caridade independente New York Foundation for the Arts (NYFA).
Swale é uma obra de arte. A arte é um processo criativo que nos leva a imaginar novos mundos. Ao continuar a criar e explorar novas formas de vida, espera-se que a Swale venha fortalecer nossas formas de colaboração, de cooperação e apoio mútuo. No seu coração, Swale é uma chamada à ação. Ela quer mostrar que podemos reconsiderar nossos sistemas alimentares para confirmar a nossa crença na alimentação como um direito humano, e abrir caminhos para criar alimentos no espaço público.

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A floresta de alimentos flutuante irá receber visitantes nos seis portos principais em Nova York: Concrete Park Plant, em Bronx, Governor’s Island, Pier 36 em Manhattan, Brooklyn Bridge Park, Brooklyn Navy Terminal e Staten Island’s Homeport. Ela irá ficar um mês em cada local, oferecendo entrada gratuita para moradores das vizinhanças locais. Uma variedade de plantas comestíveis será cultivada a bordo, incluindo figos, mamão, gengibre, aspargos, agrião, amendoim, tomate cereja, couve, morangos, cebola e alho. Além disso, a programação conta com workshops sobre alimentos.

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A maioria das plantas estão sendo cultivadas e preparadas para serem transplantadas. A balsa é equipada com um sistema para filtrar a água e uma unidade de energia solar, que permitem que a Swale tenha em funcionamento bombas de água e luzes. Além disso, uma rede de colaboração internacional de artistas, engenheiros e biólogos irá implantar sensores digitais nas plantas para reunir dados ambientais como níveis de umidade, salinidade e pH.
Funcionando tanto como uma escultura e uma ferramenta, Swale fornece comida saudável na intersecção da arte pública e serviço. Com ela, os cridores querem reforçar a ideia da água como um bem comum e trabalhar no sentido de fornecer alimentos frescos como um direito das pessoas.

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