Nas regiões do norte e do noroeste da França e do sul e sudoeste da Inglaterra, existem remanescentes vivos da sensibilidade celta nas muitas árvores de teixos milenares (Taxus baccata), com sua folhagem verde escura, seus troncos enormes, muitas vezes ocos.
Nesses lugares não há necessidade de procurá-los, porque os teixos sempre foram um símbolo de renascimento e são facilmente encontrados em pequenos e pitorescos cemitérios ao lado das igrejas rurais de pequeno porte. Os teixos são árvores que tem veneno em todas as suas partes, exceto a polpa vermelha e mucilaginosa dos seus frutinhos, umas bagas chamadas arilos.  Em tempos de guerra sua madeira era a preferida para a confecção de arcos e flechas, por conta da sua elasticidade e também por ser extremamente forte e inatacável por insetos e vermes. É por isso que eles também são conhecidos como as árvores da morte.

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Apesar de conter veneno, um poderoso alcaloide chamado taxina, eles são plenos de virtudes curativas, odiados pelos pastores e no entanto, avidamente procurado por multinacionais farmacêuticas. O teixo é, certamente, uma das mais extraordinárias, porém raras e ameaçadas árvores da flora europeia, já que para proteger os animais domésticos de um eventual envenenamento, os pastores foram eliminando-os dos tradicionais locais de pastoreio.
Eles crescem lentamente, suportando as condições mais difíceis como a poda e a sombra, que seria fatal para outras árvores. Eles se parecem um pouco com os abetos com suas abundantes folhas escuras, pequenas e estreitas que o vento mal consegue cavar.  Eles têm um olhar severo, que só no outono torna-se quase festivo, quando o fruto vermelho enfeita e atrai os pássaros.
As sementes tóxicas que engolem não lhes fazem mal algum, mas, pelo contrário, beneficiam a passagem pelo intestino e a si próprias, para melhor se enraizarem no solo.

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Ao longo dos séculos, os troncos de muitas dessas árvores vão se tornando ocos e vazios, como acontece com a maioria das árvores antigas veneráveis. A madeira arroxeada sobe do chão em gomos como se fosse feita de cordas grossas e torções, e assume a forma de escultura ou capela.  Muitos teixos ocos foram usados como capelas para algum culto católico, com a instalação de altares, bancos e até portas.

La Haye-de-Routot, France – Saint Anne Chapel         Image by © Chris Hellier/CORBIS

Mais recentemente, o teixo tornou-se alvo do interesse da indústria farmacêutica, pelo fato das suas folhas serem ricas em taxina, um agente anti-tumoral utilizado com sucesso no tratamento do câncer de ovário e de mama. Hoje em dia é usado também em tratamentos oncológicos no combate do câncer dos pulmões, traduzindo-se o seu efeito na inibição da proliferação das células cancerígenas, evitando o alastramento do câncer. Outras substâncias biologicamente ativas do teixo também combatem certos tipos de vírus, bactérias e fungos, possuindo ainda efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios e contra úlceras.
Atualmente, estas árvores estão protegidas pelo estatuto de conservação de espécies ameaçadas.

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Teixo ‘Much Marcle’ – Herefordshire – Inglaterra

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