Se esta imagem te dá agonia, você não está sozinho. Um fenômeno conhecido como tripofobia explica porque conjuntos de furinhos podem perturbar algumas pessoas.


A imagem do morango que já tinha pequenas folhas brotando das sementes que crescem na parte externa do pseudofruto foi compartilhada muitas vezes nas redes sociais no começo do ano e muitas pessoas se queixaram que sentiam um mal-estar ao observá-la.
A conclusão dos especialistas é que ela é semelhante às outras imagens que causam incômodos como suor, taquicardia e coceira em quem tem esse tipo de fobia.
Algumas das imagens que são odiadas por quem tem essa fobia são as colmeias de abelha, os furinhos do chocolate Suflair, um amontoado de canudinhos entre outros.


Apesar da foto do morango não mostrar furos verdadeiros, o efeito é semelhante pela presença inesperada das folhas. Sementes que brotam ainda no fruto fazem isso por conta de uma mutação chamada viviparidade. A viviparidade ocorre com frequência em algumas plantas, mas apenas de forma intermitente em outras, como o morango. As plantas vivíparas produzem sementes que germinam imediatamente enquanto ainda estão ligadas à planta, como as da parte externa do morango.
Uma das incríveis possibilidades trazidas pela internet é o encontro de todo tipo de gente de todas as partes do mundo para discutir problemas em comum. Espontaneamente, pessoas compartilham sintomas e experiências em fóruns de discussão, sem medo de se sentirem expostas. Estão aí os ingredientes para descobrir condições médicas que ainda não puderam ser observadas ou mesmo reconhecidas por pesquisadores como a tripofobia.


Tripofobia é o medo de buracos; condição que faz com que indivíduos sintam desconforto como coceira e arrepios e até ataque de pânico ao observar imagens com vários pequenos buracos, círculos, rachaduras ou furos. O problema foi descrito pela primeira vez em 2005, mas ainda não é reconhecido como um diagnóstico médico.
As imagens que causam essa reação podem ser naturais como uma colmeia de abelhas ou sementes de plantas, mas também objetos feitos pelo homem, como chocolate aerado ou até mesmo cogumelos com o chapeu cheio de rachaduras.


Imagens de contaminantes como mofo ou doenças de pele costumam causar nojo na maioria das pessoas, não só nas que têm tripofobia. Esse nojo é provavelmente um mecanismo de defesa para que a pessoa se afaste do que pode lhe causar problemas de saúde.
O pesquisador Arnold Wilkins da Universidade de Essex afirma que as propriedades matemáticas das imagens de mofo ou lesões de pele são similares às tripofóbicas e elas também induzem uma maior oxigenação do cérebro. Essa fobia é um instinto inato do ser humano. O medo na verdade é do perigo e não dos buracos em si.


As imagens normalmente se assemelham a algo que nossos ancestrais aprenderam da pior forma. Numa época de poucos recursos, doenças graves causavam estragos como vermes penetravam no corpo da pessoa e geravam graves inflamações. Como isso podia ser passado de um para outro, foi aprendido que é algo perigoso, do qual devia se manter distância. Isso, como forma evolutiva, foi inserido em nossa cultura e hoje esse nosso medo já nasce conosco e faz com que nós tenhamos mal-estar e repulsa a essas imagens, como forma de nos proteger do perigo que representam.
O desconforto talvez seja um mecanismo útil para evitar objetos que ofereçam riscos de contaminação e aqueles que sofrem de tripofobia podem ter esse mecanismo funcionando de forma exagerada.

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