Cientistas vem divulgando há algum tempo um estudo em que chamam a atenção para o fato de que os tubarões estão ameaçados de extinção, em pelo menos ¼ das espécies existentes, num prazo de 30 anos.
A pesquisa, publicada na revista científica de acesso livre, eLife, foi resultado da colaboração entre 300 cientistas de 64 países. Concluiu-se que a pesca predatória é a maior ameaça para a maioria das espécies, constatando que mais de 80 milhões de tubarões são mortos por ano, somente por causa de suas barbatanas!


As barbatanas tornaram-se commodities marinhas valiosas, e estima-se que as barbatanas de 26 a 73 milhões de tubarões sejam comercializadas ao ano, totalizando entre US$ 400 a 550 milhões.
Os maiores compradores são os chineses. Eles chegam a pagar mais de US$ 100 por uma sopa. A barbatana não tem gosto. O sabor depende do tempero de cada cozinheiro, mas os orientais acreditam que elas têm poderes afrodisíacos. O prato virou um símbolo de status.


Oito mil toneladas de barbatanas são processadas anualmente, sendo que elas constituem apenas 4% do corpo do animal. Dezoito espécies de tubarão estão ameaçadas de extinção.
Depois de retiradas as barbatanas, os peixes são jogados de volta ao mar mutilados e ainda vivos; eles não conseguem nadar ou soltar líquido pela guelras, morrendo sufocados, por perda de sangue ou pela predação por outras espécies.


No processo chamado “finning”, é mantida apenas uma faixa da pele para ligar a barbatana à espinha dorsal e o resto do corpo também é descartado no mar. Este método cruel tem o propósito de driblar a legislação que proíbe a retirada da barbatana, determinando que as barbatanas do tubarão devem estar “naturalmente presas” ao corpo.


Os tubarões estão na terra há mais de 450 milhões de anos antes de nós. No entanto, só no último meio século destruímos 90% de suas populações. Esses peixes alimentam-se de outros animais e estão no topo de cadeia alimentar como os principais predadores do ambiente marinho, exercendo importante papel no controle das populações de suas presas, diminuindo as taxas de competição por recursos entre elas e ajudando a regular e manter o equilíbrio dos ecossistemas marinhos. Em função desse controle natural, áreas que abrigam essas espécies apresentam maior biodiversidade e maiores densidades populacionais, por serem locais mais bem conservados e produtivos.
No Brasil, o IBAMA só autoriza o comércio de barbatanas se o pescador trouxer junto o resto do tubarão, mas a pesca ilegal tem aumentado bastante.
No Pará, o IBAMA investigou este ano as três maiores empresas exportadoras de barbatanas, e descobriu que uma delas vendeu 75% a mais do que o permitido. A empresa Sigel do Brasil foi multada em R$ 200 mil. No armazém da empresa, em Belém, os fiscais encontram três toneladas de barbatanas e nenhuma carcaça de tubarão.
Pelas contas do instituto, as 21 toneladas de barbatanas exportadas e as três toneladas apreendidas, representam a matança de 280 mil tubarões em apenas um ano.


O comércio de barbatanas de tubarão não é um problema de um único pais, é uma questão global. Os japoneses e chineses levam grande parte da culpa pelo massacre desses animais, mas o problema é no mundo inteiro. Embora muitos países já tenham proibido a venda do produto, as leis ainda permitem a captura e venda de barbatanas de tubarão para outros países onde os mercados são legais.
Hoje, alguns estimam que 100 milhões de tubarões são mortos a cada ano por suas barbatanas. De acordo com a Sea Shepherd da Austrália, alguns dos países que mais contribuem para o comércio incluem Espanha, Costa Rica, México e Estados Unidos.
Há esperança de que o mercado comece a mudar. A China proibiu sopa de barbatanas em todos os eventos do governo para dar exemplo e os mercados tiveram queda de vendas. Infelizmente, isso não foi o suficiente para extinguir esta prática.

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