O lingueirão (Solen marginatus), conhecido também como peixe ou concha navalha, é um molusco bivalve da família Solenidae, ele fica enterrado no curto espaço entre a maré baixa e maré alta, chamado de zona intertidal.
Ele se tornou popular na mídia devido a algumas características peculiares, como se enterrar na areia das praias deixando um furinho. Ele possui uma espécie de tromba que, ao entrar em contato com uma variação da salinidade, se projeta para fora da areia como se fosse um tubo, conhecido por sua forma retangular alongada, que se assemelha a uma navalha.  O lingueirão chega a medir a 15 a 20 centímetros de comprimento. A margem dorsal é reta, enquanto a margem ventral é curva.
Possuem uma casca frágil, com as extremidades abertas. A casca é lisa e esbranquiçada, com manchas verticais marrom-avermelhadas ou arroxeadas verticais separadas por uma linha diagonal. A superfície interna é branca com um tom roxo e branco com linhas marrons.

O lingueirão vive embaixo da areia usando seu ‘pé’ poderoso para cavar até uma profundidade segura. Sua atividade de escavação é composta por seis etapas, que se repetem ciclicamente. Um ciclo de escavação envolve a integração do pé muscular (o que ocupa uma grande parte do corpo), com a abertura e o fechamento de uma válvula.
O pé é insuflado hidraulicamente, em seguida puxa a casca para baixo e assim cava a areia. O molusco também esguicha água para dentro da areia, retirando a areia solta do seu caminho. O pé exerce uma pressão de 2 kg e a presença da concha é revelada por um buraco redondo na areia.

Durante o verão, eles ficam em fase de repouso sexual. No inverno e na primavera começam as desovas.
Muitas populações desse animal curioso diminuíram devido à pesca intensa e indiscriminada, a espécie está em declínio em muitas áreas, pois é um animal muito apreciado na culinária do mundo todo. A carne possui uma composição semelhante à carne e ao peixe, rica em ferro, mas com bastante colesterol.

Essas conchas em forma de navalha são muito sensíveis às perturbações menores, como por exemplo, alterações na salinidade e temperatura. Eles usam essa capacidade para detectar as marés e saber quando sair de suas tocas.
A técnica usada para pescar esse molusco é conhecida há anos: quando o sal de cozinha seco é jogado na areia causa o sufocamento e desidratação. O lingueirão que vive enterrado há mais ou menos 30 cms da superfície, na tentativa de sair para a água, acaba sendo pego. A técnica é bem eficaz apesar de um pouquinho cruel… Vejam no video:

Comments are closed.